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A importância da Saúde Auditiva é notável em todas as idades. Desde a vida intra-uterina, a audição já está desenvolvida e permite que o feto capte os estímulos sonoros e se relacione com o meio que o cerca.
Ao longo da infância, a comunicação exerce papel fundamental na evolução da criança. A deficiência auditiva infantil pode trazer danos irreversíveis no desenvolvimento da fala, e influenciar negativamente os aspectos familiar, social, emocional, cognitivo e educacional.
É de extrema importância conhecer as origens da perda auditiva e saber como preveni-la. Com a 4ª Edição da Campanha Nacional da Saúde Auditiva, a Sociedade Brasileira de Otologia pretende dar a orientação profissional aos deficientes e familiares que mantêm contato direto com o problema. “O déficit auditivo pode ser corrigido se constatado precocemente A Campanha engloba atividades informativas para alertar a sociedade sobre os tipos de deficiência e as melhores maneiras para corrigi-las”, disse o Dr. Marcelo Hueb, Coordenador da Campanha Nacional da Saúde Auditiva.
Sabe-se que as deficiências auditivas apresentam-se de diversas formas e com as mais variadas origens. No Brasil mais de 15 milhões de pessoas sofrem com algum déficit auditivo. Questões como a importância do teste da orelhinha, a perda auditiva induzida por ruído e os problemas auditivos em idosos, serão abordadas ao longo desta 4ª Edição.
Os antecedentes familiares e as infecções pré-natais são os principais riscos para a audição do bebê. Doenças como rubéola, sífilis, herpes, citomegalovírus e toxoplasmose são as mais prejudiciais, mas existem outros cuidados que devem ser tomados durante a gestação. O uso de antibióticos, drogas ou álcool afetam o desenvolvimento da audição do feto.
É primordial a realização de um diagnóstico precoce. Hoje, quase 100% dos casos de surdez ou perda auditiva podem ser revertidos, tratados ou causar conseqüências menos severas, se forem diagnosticados precocemente. Uma vez sob suspeita ou em casos de grupo de risco, a criança deve ser encaminhada ao otorrinolaringologista e submetida a uma investigação profissional através de exames complementares. O “Teste da Orelhinha”, ou Exame de Otoemissões Acústicas, deve ser realizado até o primeiro mês de vida. Se detectada alguma alteração, a investigação completa deve ser realizada até os três meses. O processo de habilitação nos casos de confirmação da perda auditiva deve ser iniciado tão logo o diagnóstico for feito.
Não somente durante a gravidez é possível adquirir um problema na audição, atualmente, a vida conturbada das grandes metrópoles, também prejudicam o ouvido humano. As Perdas Auditivas Induzidas por Ruído, ou PAIRO, são provenientes de um longo tempo de exposição a barulhos ou ruídos de alta intensidade. Este tipo de perda na audição depende diretamente do tipo de freqüência sonora e da suscetibilidade individual, e mantém uma relação direta com intensidade do som.
Os sintomas mais comuns relacionados a PAIRO, além da perda auditiva, são os zumbidos e as dificuldades de compreensão da fala. Como outras perdas auditivas, o indivíduo se isola do convívio familiar e social, gerando dificuldades de relacionamento pessoal e profissional. Além dos danos à audição, acarretam danos físicos e mentais.
Ainda segundo o Dr. Marcelo M. Hueb, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, além de incômodos e desconfortos, o ruído causa alterações na pressão sanguínea, nos níveis de colesterol e açúcar do sangue. Em algumas pessoas a evolução destes quadros pode levar à hipertensão arterial e até infartos cardíacos.
A poluição sonora, considerada um problema de saúde pública, ocupa uma posição alarmante e próxima à poluição da água e do ar. No Brasil não existem estatísticas sobre a Perda Auditiva Induzida por Ruído, mas a alta incidência de falha na audição de grupos de trabalhadores como metalúrgicos, tratoristas, serralheiros e mecânicos, demonstram a abrangência do problema.
Neste mesmo âmbito têm sido diagnosticados cada vez mais casos de perda auditiva entre jovens. A era dos Ipods e o tempo de exposição ao alto volume de músicas, tem levado jovens a apresentarem problemas auditivos. Para minimizar o problema, o som em shows, clubes e aparelhos musicais pode atingir 110 ou mais decibéis. Para uma exposição diária a sons de até 85 decibéis, o tempo recomendado é de até 8 horas de exposição. A cada aumento de nível sonoro o tempo cai drasticamente, para sons de 110 decibéis, o tempo recomendado de exposição é de apenas meia hora.
No caso da terceira idade o problema não seria diferente. De acordo com a Sociedade Brasileira de Otologia, 12 milhões de pessoas com mais de 65 anos sofrem de alguma perda auditiva. Destes, 7 milhões necessitam de próteses auditivas para amplificar o som. Entre os mais idosos os casos podem ser ainda mais graves.
A perda auditiva nos idosos é lenta e gradual, e traz sérias limitações que contribuem para o desenvolvimento de distúrbios psicológicos. O que ocorre certas vezes é um constrangimento devido à dificuldade em ouvir. O relacionamento familiar fica prejudicado e em alguns casos pode até acarretar depressão. É importante que a família do idoso se esforce ao máximo para integrá-lo no dia-a-dia e consulte um otorrinolaringologista para a indicação de um aparelho de amplificação sonora (prótese auditiva).
A Campanha Nacional da Saúde Auditiva, nesta 4ª Edição, visa mostrar mais uma vez a importância social do tema. A falha na audição, que prejudica a vida social e o cotidiano de milhões de pessoas, pode ser prevenida e corrigida se constatada e tratada corretamente, conforme ressaltado pelo Dr. Luiz Carlos Sousa, presidente da Sociedade Brasileira de Otologia.
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