Dr. João Magalhães
Cirurgião Plástico
Tel.: (21) 2768-5622
E-mail: joaomagalhaes@esculturadabeleza.com.br
O Profissional fora do Dom e da Arte

As vezes me pergunto:
porque fazer de sua profissão um martírio.
Fico constantemente diante de colegas, até mesmo de outras profissões, em pleno lamuriar, enveredando-se pelas queixas de seus clientes e/ou pacientes. Ao analisá-las identifico que o responsável pelo amargo véu, nada mais nada menos, está na ausência do elo vital para que o prazer de trabalhar possa invadir a alma e nos guiar: o DOM.
Com o crescente número de profissionais não habilitados a atuar na área da estética, aumentam também os riscos para os pacientes e as implicações legais passam a se expandir de forma incontrolável.
É incontestável a evolução tecnológica em todos os níveis, assim como a relação contratual entre os envolvidos na relação de prestação de serviços, onde a sociedade ampara-se na justiça para as possíveis soluções apaziguadoras.
A massificação do exercício da estética e o seu enquadramento às regras do Código de Defesa do Consumidor e o dano moral, em parte, é estimulada pela inabilidade técnica daqueles indivíduos que se aventuram no exercício de sua lastimável imprudência, negligência e imperícia.
Tenho a franca certeza de que o $, o indispensável sustentador de nossas vidas, é o alvo de todos aqueles que desenvolvem uma crônica amnésia: não fazemos com os outros aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco.
O princípio básico da sobrevivência é a consciência do verdadeiro dever cumprido, dentro de um mútuo respeito. Há alguns anos que os profissionais que se especializaram no segmento estético esforçam-se para resgatar a ética como princípio de lisura e boa-fé, colaborando com o seu aprimoramento técnico-científico, no qual os congressos prestam enorme função.
Os programas dos encontros científicos engrandecem o conhecimento a partir de mesas de debates, produtivas e esclarecedoras, onde os conferencistas procuram esgotar determinados temas e com isso desertam interesses ao crescente aprendizado.
Devemos nos lembrar que a obrigação de “meios e fins” estabelece a necessidade de encontrarmos o equilíbrio em nossa prestação de serviços, visto a gama de responsabilidades que assumimos perante a sociedade, onde a ferramenta a ser empregada encontra-se nas informações precisas e chanceladas pelos “consentimentos pré-informados”, documentação estética completamente preenchida, retidão ética perante seus pares e o estreitamento de uma boa relação com os paciente.

Devemos nos lembrar que a obrigação de ‘meios e fins’ estabelece a necessidade de encontrarmos o equilíbrio em nossa prestação de serviços...

Para uma meditação de todos, enfatizo a necessidade de identificarmos os “aventureiros” da grandiosa profissão. Travestidos por princípios puramente financeiros, dizem-se capazes de executar os procedimentos inerentes a esta nobre profissão, esquecendo-se dos valiosos investimentos culturais e verdadeira dedicação que se faz necessária para que se possa trabalhar com maestria e a isenção de riscos.
Não tenho uma visão meramente punitiva, ao desejar prevalecer à necessidade de conhecimentos comprobatórios para o exercício da profissão.
A ética, o dom e a arte são princípio, meio e fim; o único caminho para resgatarmos a relação equilibrada do direito e do dever, ao evitarmos que terapêuticas estéticas de embelezamento se transformem em cirurgias reparadoras.
Tenho a convicção que de alguma forma contribuímos para uma reflexão de todos.
Espero que tenhamos sempre capricho com a obra prima do criador e saibamos que não temos o direito de atravancarmos a história e a vida daqueles que depositam, em nós, os seus sonhos. Mais cedo ou mais tarde tudo vem à tona e o seu travesseiro passa de “penas de pavão” para “espinhos”.
Estejamos sempre atentos para os falsos encantamentos; eles são efêmeros, porém lesivos.

Nota da Editora: O Dr. João Magalhães é Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões; Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica; Especialista em Cirurgia Plástica pela Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Serviço do Prof. Ivo Pitanguy; Especialista em Cirurgia Geral, Serviço do Prof. Felício Falci; Membro da Sociedade Brasileira de Queimaduras; Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Craniomaxilofacial; Diretor Médico da Clínica Medical Plástica - Rio de Janeiro; Professor Universitário e Escritor.