|
||
O Profissional
fora do Dom e da Arte |
||
| As vezes me pergunto: porque fazer de sua profissão um martírio. Fico constantemente diante de colegas, até mesmo de outras profissões, em pleno lamuriar, enveredando-se pelas queixas de seus clientes e/ou pacientes. Ao analisá-las identifico que o responsável pelo amargo véu, nada mais nada menos, está na ausência do elo vital para que o prazer de trabalhar possa invadir a alma e nos guiar: o DOM. Com o crescente número de profissionais não habilitados a atuar na área da estética, aumentam também os riscos para os pacientes e as implicações legais passam a se expandir de forma incontrolável. É incontestável a evolução tecnológica em todos os níveis, assim como a relação contratual entre os envolvidos na relação de prestação de serviços, onde a sociedade ampara-se na justiça para as possíveis soluções apaziguadoras. A massificação do exercício da estética e o seu enquadramento às regras do Código de Defesa do Consumidor e o dano moral, em parte, é estimulada pela inabilidade técnica daqueles indivíduos que se aventuram no exercício de sua lastimável imprudência, negligência e imperícia. Tenho a franca certeza de que o $, o indispensável sustentador de nossas vidas, é o alvo de todos aqueles que desenvolvem uma crônica amnésia: não fazemos com os outros aquilo que não gostaríamos que fizessem conosco. O princípio básico da sobrevivência é a consciência do verdadeiro dever cumprido, dentro de um mútuo respeito. Há alguns anos que os profissionais que se especializaram no segmento estético esforçam-se para resgatar a ética como princípio de lisura e boa-fé, colaborando com o seu aprimoramento técnico-científico, no qual os congressos prestam enorme função. Os programas dos encontros científicos engrandecem o conhecimento a partir de mesas de debates, produtivas e esclarecedoras, onde os conferencistas procuram esgotar determinados temas e com isso desertam interesses ao crescente aprendizado. Devemos nos lembrar que a obrigação de “meios e fins” estabelece a necessidade de encontrarmos o equilíbrio em nossa prestação de serviços, visto a gama de responsabilidades que assumimos perante a sociedade, onde a ferramenta a ser empregada encontra-se nas informações precisas e chanceladas pelos “consentimentos pré-informados”, documentação estética completamente preenchida, retidão ética perante seus pares e o estreitamento de uma boa relação com os paciente. |
||
Devemos nos lembrar que a obrigação de ‘meios e fins’ estabelece a necessidade de encontrarmos o equilíbrio em nossa prestação de serviços... |
||
Para uma meditação de todos, enfatizo a necessidade de identificarmos os “aventureiros” da grandiosa profissão. Travestidos por princípios puramente financeiros, dizem-se capazes de executar os procedimentos inerentes a esta nobre profissão, esquecendo-se dos valiosos investimentos culturais e verdadeira dedicação que se faz necessária para que se possa trabalhar com maestria e a isenção de riscos. Não tenho uma visão meramente punitiva, ao desejar prevalecer à necessidade de conhecimentos comprobatórios para o exercício da profissão. A ética, o dom e a arte são princípio, meio e fim; o único caminho para resgatarmos a relação equilibrada do direito e do dever, ao evitarmos que terapêuticas estéticas de embelezamento se transformem em cirurgias reparadoras. Tenho a convicção que de alguma forma contribuímos para uma reflexão de todos. Espero que tenhamos sempre capricho com a obra prima do criador e saibamos que não temos o direito de atravancarmos a história e a vida daqueles que depositam, em nós, os seus sonhos. Mais cedo ou mais tarde tudo vem à tona e o seu travesseiro passa de “penas de pavão” para “espinhos”. Estejamos sempre atentos para os falsos encantamentos; eles são efêmeros, porém lesivos. Nota da Editora: O Dr. João Magalhães é Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões; Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica; Especialista em Cirurgia Plástica pela Associação Médica Brasileira e Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, Serviço do Prof. Ivo Pitanguy; Especialista em Cirurgia Geral, Serviço do Prof. Felício Falci; Membro da Sociedade Brasileira de Queimaduras; Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Craniomaxilofacial; Diretor Médico da Clínica Medical Plástica - Rio de Janeiro; Professor Universitário e Escritor. |
||