Cabe aqui um questionamento:
Qual a contribuição da estética no pré-natal e no pós-parto?
A resposta a esta indagação requer duas análises. A primeira refere-se à problemática gestacional e a segunda diz respeito ao conhecimento do profissional esteticista.
Assim como a adolescência e a velhice são fases da vida nas quais se faz necessário o conhecimento das alterações fisiológicas e psicológicas, para que o profissional possa estar apto a atuar, a gravidez é outra importante etapa da vida que não foge à regra, um momento especial, no qual os cuidados precisam ser redobrados.
“Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga”.
Força Estranha – Caetano Veloso |
A gravidez é um momento mágico, divino... As transformações ocorridas no corpo da mulher durante a gestação são visíveis a cada dia. Normalmente, durante 37 semanas, a mulher perde os contornos do seu corpo, dando lugar a uma linda barriga.
Linda Barriga?
Isso mesmo!
A gravidez é o único momento da vida de uma mulher em que ela se orgulha de exibir uma volumosa barriga. Afinal, apesar da pele e dos músculos estarem sofrendo um grande estiramento e, provavelmente estrias e flacidez venham a surgir, ali dentro, bem protegido, está o seu bebê.
Apesar das inúmeras preocupações que esse período traz, a aparência e o bem-estar da gestante não devem ser esquecidos, afinal alguns procedimentos preventivos podem amenizar as inúmeras alterações que a superfície cutânea sofre nessa fase.
Normalmente, no seu dia-a-dia, o esteticista lida com situações que envolvem a saúde e a auto-estima. Porém, para trabalhar com a gestante, é necessário ampliar esses conhecimentos, para estar apto a analisar cada procedimento e suas ações fisiológicas, onde a cautela será sempre a melhor opção.
Técnicas ditas alternativas podem ajudar – e muito – a gestante nesse período tão especial, que requer tranqüilidade, equilíbrio e alegria.
O profissional esteticista deve estabelecer um excelente intercâmbio com a equipe de médicos que assistem à parturiente, pois se faz necessário a autorização, por escrito, de todas as técnicas empregadas.
Diante de tantas transformações ocorridas em tão pouco tempo, é necessário que o trabalho com a gestante seja feito com orientações em diversos segmentos, estabelecendo-se assim, a equipe multidisciplinar, que além do ginecologista/obstreta, deve ser composta por profissionais qualificados que orientarão quanto à dieta alimentar de manutenção, exercícios físicos de baixo impacto, cuidados com a pele e anexos etc., de acordo com as intercorrências que possam vir a surgir durante o período gestacional.
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Resumo das alterações fisiológicas e corporais: Embora o conjunto de sintomas não esteja presente em todas as mulheres, podem ser verificados: enjôos, vômitos, ânsias mediante odores fortes, dores nas mamas e nas costas, tonturas, vontade freqüente de urinar, sonolência, cansaço, desejo por certos alimentos, escurecimento dos mamilos e inchaço nas extremidades.
PRIMEIRO TRIMESTRE (da 1a a 12a semana)
- Aceleração das funções corporais, com aumento de
10 a 25% na taxa metabólica.
- Aumento dos ritmos cardíaco e respiratório, pois o feto
necessita de mais oxigênio.
- Aumento do volume, peso e sensibilidade dos seios com
o surgimento de novos ductos lactíferos.
- As artérias localizadas nos seios tornam-se visíveis, devido
ao maior fluxo sanguíneo.
- Aumento da vontade de urinar, devido à pressão exercida sobre a bexiga.
- Surgem as primeiras alterações de hiperpigmentação.
SEGUNDO TRIMESTRE (da 13a a 28a semana)
- A expansão do útero ultrapassa a borda da pelve, resultando
na perda gradual da cintura.
- Há uma maior dificuldade na digestão; a musculatura do trato intestinal relaxa, provocando diminuição das secreções gástricas.
- O refluxo ácido do esôfago pode provocar azia, devido
ao relaxamento do esfíncter.
- Há uma redução da evacuação intestinal, pois o músculo
intestinal está mais relaxado que o habitual.
- O coração trabalha duas vezes mais do que o normal,
fazendo circular 6 litros de sangue por minuto.
- As gengivas podem se tornar mais sensíveis,
devido ao aumento das taxas hormonais.
- O útero necessita de um aumento de 50% no fluxo sanguíneo.
- A hiperpigmentação continua a aumentar.
TERCEIRO TRIMESTRE (29a em diante)
- Os mamilos podem secretar colostro.
- Aumenta a freqüência e a vontade de urinar.
- Aumenta a vontade de urinar e a freqüência da micção.
- Aumenta a necessidade de repousar e dormir.
- Há uma maior pressão no diafragma, devido ao crescimento do feto.
- Aumenta a necessidade de ventilação pulmonar; podendo ocorrer falta de ar.
- As costelas inferiores são empurradas para fora, devido ao aumento
do volume abdominal.
- Os membros inferiores e superiores podem apresentar edemas.
- Surgem dores nas costas, causadas pela mudança do centro
de gravidade corporal.
Glossário
Atrofia – Redução de tamanho de um órgão ou tecido; definhamento; degenerecência; decadência.
Colostro: Líquido proveniente da glândula mamária que pode ser secretado a partir do segundo trimestre da gestação em diante, mas que fica mais evidente nos primeiros dias após o nascimento, antes do surgimento da lactação verdadeira; líquido amarelo e ralo que contém uma grande quantidade de proteínas e calorias, além de anti-corpos e linfócitos.
Cório – Estrutura formada por trofoblastos e mesoderma extraembrionário adjacente. A partir do cório ocorre a formação das vilosidades coriônicas, que estabelecem uma íntima conexão com o endométrio, dando origem à placenta.
Coriônico – Relativo ao cório.
Corpo Lúteo (luteum) – Pequeno corpo amarelo que se desenvolve no interior de um folículo ovariano rompido; estrutura endócrina secretora de progesterona.
Eflúvio Telogênico – Grande queda de cabelos com características da fase telógena, caracterizada pela ausência no pêlo do saco epitelial, membrana celular residual da bainha radicular externa, que envolve a clava.
Endométrio – Membrana mucosa que reveste a superfície interna do útero.
Esfíncter – Músculo circular que permite a contração de um orifício.
Estrógeno – Hormônio sexual feminino que controla a evolução do ciclo menstrual.
Fase Anágena – Ciclo biológico do pêlo, onde predomina o crescimento; é o período em que a matriz do pêlo se mantém em atividade mitótica, produzindo continuamente o fio.
Gônada – Glândula sexual embrionária, antes da diferenciação definitiva em testículo e ovário.
Gonadotropina Coriônica – Hormônio estimulante das gônadas; hormônio produzido pelas vilosidades coriônicas da placenta.
Gonadotropina Coriônica Humana (hCG) – Hormônio que ajuda os ovários a produzir progesterona e estrógeno, durante o primeiro trimestre de gestação.
Hiperlordose Lombar – Acentuação da curvatura lombar da coluna vertebral.
Hipertricose – Crescimento excessivo dos pêlos, acima do normal.
Hirsutismo – Crescimento anormal do diâmetro dos pêlos, principalmente em locais incomuns, sobretudo nas mulheres.
Líquido Amniótico – Líquido amarelado e transparente que ocupa as membranas fetais durante a gravidez, cuja principal função é proporcionar proteção ao feto.
Linha Alba – Linha localizada verticalmente no abdome, constituída de tecido aponeurótico que une o músculo reto-abdominal; inicia no processo xifóide, indo até o púbis, passando sob a cicatriz umbilical.
Linha Nigra – Hiperpigmentação da linha alba durante a gestação, por influência hormonal.
Ovário – Glândula feminina que produz a célula reprodutora (o óvulo) e dois hormônios (estrogênio e progesterona).
Placenta – Estrutura frondosa, oval ou discóide, existente no útero de gestantes, através da qual o feto obtém sua nutrição.
Progesterona – Hormônio que prepara o útero para o desenvolvimento de um óvulo fertilizado.
Refluxo Ácido – Retorno do ácido do estômago para o esôfago; azia.
Telangiectasia – Lesão vascular formada pela dilatação de vasos sanguíneos de pequeno calibre.
Vasomotor – Qualquer agente capaz de agir sobre a vasomotricidade.
Vasomotricidade – Capacidade de produzir alteração de calibre de vaso sanguíneo.
Vilosidade Coriônica – Diminuta projeção vascular da superfície coriônica, que ajuda a formar a placenta.
Bibliografia
CANELLA, P.R.B., et al – Tratado de Reprodução Humana. Rio de Janeiro: Editora Cultura Médica, 1996.
FADYNHA – Meditação para Gestantes: O Guia para uma Gravidez Saudável, Plena e Feliz. 6ª edição. São Paulo: Editora Ground, 2005.
GUYTON, A. C. – Fisiologia Humana. 1a. ed.,Rio de Janeiro: Guanabara
Koogan, 1998.
KEDE, Maria Paulina Villarejo; SABATOVICH, Oleg – Dermatologia Estética. 1a. ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2003.
SALLET, Carla Góes – Grávida e Bela. 4a. edição, São Paulo: Editora Senac.
TABER – Dicionário Médico Enciclopédico. 17a. edição, São Paulo: Editora Manole, 2000.
Revisão: Jorge Rizzo.
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