Introdução
Com a chegada do inverno os tratamentos que se utilizam de ácidos e despigmentantes estão em alta.
Tratamentos de revitalização, acne, hipercromias e outras seqüelas ganham ênfase devido ao menor tempo de incidência dos raios ultra-violeta sobre a terra e menor exposição por parte dos indivíduos, mas os peelings, principalmente os químicos, são os procedimentos em que a grande maioria dos profissionais esteticistas e inclusive alguns médicos têm receio de utilizar.
A palavra ácido leva-nos a insegurança, pois sabemos que são substâncias corrosivas e precisam ser aplicados com critérios. Fora isso é preciso uma boa orientação e um compromisso do cliente para com o tratamento.
“Quanto mais sei, mais tenho medo.” Dr. Hugo Turovelzky
Peeling
Os peelings (to peel = pelar) são procedimentos realizados com a finalidade de promover renovação celular e de se obter um refinamento da pele. Podemos encontrá-los na forma de loção, gel, creme, pó ou microgrânulos.
Tipos de Peelings - Os peelings podem ser classificados em:
Peeling Físico – Processo mecânico de arraste das células mortas através de substâncias abrasivas que podem estar veiculadas em cremes, gel, gel-creme ou até mesmo em loções. A aplicação consiste simplesmente em submeter à pele ao esfregaço com massagens suaves e ligeira pressão.
Ainda na classificação dos peelings físicos temos o aparelho de microdermoabrasão também chamado de cristal peeling e o aparelho de peeling de diamante. O aparelho de microdermoabrasão emite ao mesmo tempo pressão negativa (sucção) e positiva, sendo a positiva, jatos de cristais de hidróxido de alumínio ou óxido de alumínio e a negativa, suga os cristais e células mortas. A aplicação dessa técnica vai depender da sensibilidade do cliente, do diâmetro dos cristais e a profundidade alcançada vai depender da quantidade de vezes que o jato é passado sobre a pele; já o peeling de diamante trata-se de um aparelho com peças metálicas, tendo em sua superfície uma espécie de lixa em diversos diâmetros que promovem a esfoliação e emitem simultaneamente uma pressão negativa, mantendo essas peças metálicas em contato com a pele.
Peeling Biológico ou Enzimático – Os ativos utilizados nesta forma de peeling são substâncias naturais com a capacidade de promover a renovação celular através da hidrólise da queratina. Os princípios ativos utilizados são enzimas biológicas que têm ação queratolítica, diminuindo a espessura da camada córnea dando à pele mais textura e plasticidade. Tais substâncias, apesar de naturais, possuem caráter acentuadamente ácido, o que as tornam tão eficazes quanto os peelings químicos e deve-se ter bastante cautela no uso desses produtos, a fim de evitar acidentes desagradáveis, sendo de relevante importância o controle de tempo. As enzimas mais utilizadas são a papaína (papaia) e a bromelina (abacaxi);
Peeling Vegetal (Gommage) – As gomagens, são uma espécie de látex, que após um breve período de repouso se atrita manualmente, formando grumos sobre a pele, durante a massagem carreiam as células mortas do extrato córneo, deixando a pele limpa e macia. Trata-se de um peeling leve, com principal objetivo de limpar e melhorar a permeação da pele, facilitando assim, a absorção de outros ativos subseqüentes no procedimento. Geralmente não causam lesões, sendo o peeling ideal para peles sensíveis, onde o ácido seria intolerável;
Peeling Químico – Processo realizado por agentes químicos, geralmente ácidos orgânicos, com variadas concentrações, promovendo intensa renovação celular, podendo ocorrer lesão na pele seguida de epitelização.
Profundidade dos peelings
A intensidade dos peelings depende de alguns fatores como pH e a concentração, podem ser classificados como muito superficiais, superficiais, médios e profundos:
Muito Superficiais, estrato córneo até o estrato granuloso, área da estética;
Superficiais, epiderme, do estrato granuloso até a camada basal, área estética e médica;
Médios, derme papilar, área médica;
Profundos, derme reticular, área médica.
Nota: Para que se compreenda a atuação de um ácido sobre a pele é importante que façamos um estudo para entender como os ácidos reagem quimicamente.
Três pontos são fundamentais no uso de ácidos: percentual ou concentração; potencial hidrogeniônico – pH; neutralização.
Percentual ou Concentração
Revela a massa do soluto contida na solução. É a quantidade da substância (soluto) contida no veículo.
Ex: Ácido glicólico................10% - soluto
Gel...............................30g - solução
Nesse gel de ácido glicólico a 10%, em 30 gramas tenho 3g de ácido o que equivale a 10% do ácido.
Potencial Hidrogeniônico – pH
A escala de pH - potencial hidrogeniônico, é o instrumento de medida utilizada para se conhecer a acidez ou alcalinidade de um produto ou da pele. A faixa de pH compreendida entre 0 e 7 exprime acidez, enquanto que entre 7 e 14 exprime a alcalinidade, sendo neutro o pH = 7.
A pele possui pH ligeiramente ácido, aproximadamente 5,5, o que garante ao estrato córneo proteção contra agentes bacterianos e outros invasores, esse é o pH de uma pele considerada equilibrada, com todas as funções derme-epiderme controladas.
Meio ácido Meio alcalino
0____________5,5_______7_____________________14
neutro ou fisiológico |
A energia de reação de um ácido depende fundamentalmente do pH desta substância. A ação de um ácido será mais intensa quanto mais ácido (menor o pH) for o produto e maior será o seu efeito. A profundidade do peeling será variável de acordo com a concentração, o ácido utilizado e o pH. O risco de lesões será tanto maior quanto mais profundo for o peeling químico.
Neutralização
Se juntarmos um ácido com uma base, um irá anular a propriedade do outro.
Uma substância ácida ao reagir quimicamente com um álcali (base ou hidróxido) dá origem à formação de um sal, mais água. Esta reação é chamada de salificação ou neutralização, ou seja, o ácido é neutralizado por uma base, formando o sal correspondente. Usam-se como substâncias neutralizantes o bicarbonato de cálcio ou sódio e hidróxido de magnésio conhecido comercialmente como leite de magnésia.
Essa técnica de neutralização é utilizada para ácidos que precisam ser retirados rapidamente, devido ao seu intenso poder abrasivo.
ANVISA
Segundo a ANVISA a utilização dos alfa-hidroxi-ácidos (ácidos derivados de frutas) em cosméticos é permitido em pH 3,5 e concentração de 10%. Nesse pH e concentração nem sempre conseguimos os objetivos necessários para o sucesso dos tratamentos, para que isso ocorra, podemos potencializar a ação dos ácidos através do tempo de exposição, número de camadas e terapias combinadas.
Terapia Combinada
A terapia combinada é quando utilizamos duas técnicas de esfoliação com o objetivo de se potencializar o procedimento. Assim, associamos esfoliação física combinada à esfoliação química, principalmente nos casos de peles mais resistentes.
Como esfoliação física podemos utilizar o peeling de cristal, de diamante, de produtos a base de sílica ou argilas, promovendo uma esfoliação mecânica e logo após a química.
Deve ser utilizado principalmente em peles asfixiadas, envelhecidas, fotoenvelhecidas, seqüelas de acne, estrias, foliculites, sicoses e hipercromias.
Tratamentos
Os tratamentos com ácidos devem ser de 10 a 15 aplicações uma vez por semana. Devemos nos lembrar de iniciar os procedimentos com uma limpeza de pele e durante as aplicações observar a necessidade de se submeter a sessões de hidratação com o objetivo de minimizar a agressão sobre o manto hidrolipídico, mantendo bons níveis de hidratação.
Manutenção Diária
A manutenção diária contribui com 50% do sucesso do tratamento, além de todas as recomendações, o cliente deverá usar no período noturno ácidos, acrescidos de despigmentantes se houver necessidade, além de sabonetes pouco abrasivos. É fundamental o uso diário de protetor solar, durante o tratamento isso se torna imprescindível, pois apesar do inverno, o risco de hiperpigmentação se intensifica devido à descamação da camada córnea.
Após o término do tratamento, a manutenção deve ser mudada para promover o equilíbrio necessário a homeostasia cutânea, utilizando-se para isso, de produtos com ativos hidratantes, nutritivos e antioxidantes.
Ação dos Ácidos na Pele:
· Os ácidos atuam reduzindo a coesão entre as células, pois reagem com a enzima “cimentante” que existe entre a queratina, promovendo a esfoliação da superfície, acelerando dessa maneira a renovação celular;
· A alteração do pH leva à ruptura das ligações de queratina;
· Desobstrução dos folículos pilo-sebáceos;
· Facilita a permeabilidade da pele, tornando a permeação transepidérmica mais eficiente;
· Através da renovação celular intensificada, melhora a textura da pele, revitalizando, tornando a superfície cutânea mais lisa, clara, luminosa e reduzindo rugas superficiais;
· Os alfa-hidroxi-ácidos exercem grande capacidade de umectância, aumentando sensivelmente a retenção de água no estrato córneo e conseqüentemente hidratação;
· Estímulo do fibroblasto;
· Aumento do colágeno dando à pele mais resistência e flexibilidade;
· Redução de cloasmas solares superficiais;
· Aumenta a síntese do metabolismo basal;
· Em longo prazo, a pele entra em acomodação e não responde mais ao tratamento ácido e dessa maneira a renovação celular diminui, mas ocorre o aumento do efeito cosmético dos ácidos sobre a pele, melhorando a hidratação e a plasticidade.
Todos esses benefícios justificam a utilização dos ácidos nos procedimentos estéticos, que buscam a correção inestética da superfície cutânea, sendo fundamental o conhecimento do profissional para que ele tenha controle e segurança na utilização da terapia.
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