Resumo
É considerado “profissional da beleza” aquele trabalhador que tem por arte ou ofício a prática de técnicas com o fim de embelezamento, terapêutica estética, terapêutica higienista tradicional ou ainda orientação para a higiene pessoal do ser humano.
Um Pouco de História
Não é possível datar precisamente o seu surgimento, visto que o desenvolvimento histórico desse trabalhador é tão peculiar quanto a sua própria evolução profissional na história da sociedade. Conforme os mais diversos registros históricos, esse ofício esteve presente desde os primórdios da humanidade, em especial, a partir do momento da estruturação do homem quanto à sua civilidade, higiene e arte estética pessoal. Como exemplo, podemos encontrar, dentre os mais antigos manuscritos, citações e referências de tais práticas, na China, na Índia, no Egito e na Babilônia (5.000 a.c.).
No Brasil, por exemplo, logo no início do descobrimento (1500 d.c) já encontrávamos o barbeiro, o cirurgião-barbeiro ou o barbeiro-sangrador que, além de aparar cabelos e barbas, eram os indivíduos responsáveis por aplicar ventosas, excisar
prepúcios, fazer curativos, tratar mordeduras de cobras, extrair dentes, dar infusões, dentre outras operações cirúrgicas, que eram realizadas de forma bastante rudimentar. Paralelamente e, muitas vezes, em complemento ao trabalho dos físicos da época (atualmente médicos), os barbeiros eram as pessoas que executavam as tarefas mais difíceis, principalmente, devido aos riscos de morte por hemorragia ou por outras várias infecções.
No entanto, independente desse tipo de trabalho “mais pesado”, é importante citar que trabalhavam, sem tais dificuldades, outro grupo de barbeiros e de frisadores da corte que se dedicavam à arte estética a serviço dos nobres, tais como: banhos, perfumaria, fazer barba, perucas, frisamento de cabelos, maquiagem, dentre outras atividades.
Um dos mais antigos Regimentos Profissionais
As Cartas Ofícios de Cirurgião-Mor, dadas por El-Rei Dom Afonso (1448 d.c.), foram um dos primeiros documentos a regimentar a prática desse trabalho sob a pena de multa. Essas cartas habilitavam os cirurgiões-mores a concederem licenças especiais aos bombeiros oficiais ou cirurgiões-barbeiros.
Ao longo do tempo, outros regimentos surgiram para tentar moralizar a prática: em 1782, a Real Junta de Proto Medicato, formada por deputados, médicos ou cirurgiões, realizava os exames e expedia as cartas àquelas pessoas que “tirassem dentes”.
A partir de então, os barbeiros e sangradores também são conhecidos como ofício como alguém mais experiente, por pelo menos dois anos, e depois eram submetidos a exame, após o pagamento de oito oitavos de ouro, junto ao cirurgião-mor, mais outros profissionais experientes, que lhe expedia carta e licença. O célebre Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), por exemplo, foi habilitado na prática, através de seu padrinho Sebastião Ferreira Leitão.
No final do século XVIII, mais precisamente, em 23 de maio de 1800, cria-se o “plano de exames”, um aperfeiçoamento das formalidades no qual, pela primeira vez, passa a ser encontrado, em documentos do reino, o termo “dentista”, criado pelo francês Guy Chaulic (1300-1368).
Por Dom João VI, a Real Junta Proto Medicato fora abolida por volta de 1809. Ficando a cargo do físico-mor do reino o controle de todos os assuntos de medicina e farmácia e do cirurgião-mor todos os cuidados ao exército. Esse último, mais tarde, suprimido por D.Pedro I, em 1828.
O Cabeleireiro
O termo “cabelleireiro” pode ser encontrado em uma única obra iconográfica do século passado. A qual denomina-se “Boutiques de Barbieri” e retrata os dizeres: “barbeiro, cabelleireiro, sangrador, dentista e deitão de bichas”.
O barbeiro (hoje, profissional da beleza e higiene pessoal), de forma bastante ingrata, foi o profissional que mais contribuiu com os experimentos das maias importantes técnicas cirúrgicas da atualidade; mas ainda hoje, por falta de cultura intelectual específica da própria classe, sofre resquícios do mesmo preconceito por quais passaram os seus antepassados mestres.
Percebe-se que toda a evolução profissional desse ofício não fora aplicada para corrigir a educação dos trabalhadores da base, tal que com o surgimento dos “dentistas”, os trabalhos considerados ainda “rudimentares” ficaram a cargo do “oficial” barbeiro, muitos deles, antigos escravos que continuavam a prestar os seus serviços de forma precária de casa em casa. Como o Famoso Mestre Gil, que ensinava a jogar os dentes nos telhados.
Todos esses regimentos do passado não puseram fim ao principal problema: que é conhecimento técnico-pedagógico necessário à essa prática profissional...
Se em plena era de globalização e de “internet”, tal regimentação integral ainda não nos é possível, imagine isso em tempos remotos?
A comunidade técnico-científica é ciente que a causa habita no fato dessas práticas estarem intimamente ligadas ao empirismo popular.
Praticamente mitológico, o barbeiro é o retrato da negação nacional do brasileiro para com suas origens. A rejeição pelo termo “barbeiro” ou mesmo “cabeleireiro” é comum dentre muitos da classe, mesmo tendo eles adentrado no mundo das profissões da beleza pelas mãos de humildes mestres de barbearia, antigos mestres cabeleireiros.
No Brasil, a primeira entidade voltada à reunião de trabalhadores dessa categoria, surgiu em 1932, em São Paulo, representando toda a categoria de profissionais do embelezamento e higiene pessoal da época: Oficiais Barbeiros, Cabeleireiros, Manicuras, Pedicuras, Massagistas-Plasticos (hoje chamadas esteticistas) e seus demais similares (um dos documentos mais antigos dessa representação é datado de 1936, quando o Rio de Janeiro ainda era a Capital do Brasil).
Diferenciação
A primeira alteração nessa forma de representação ocorreu em 12 de julho de 1979, quando a entidade que antes detinha 100% dessa classe trabalhadora, deixa de representar apenas uma fatia, ou seja, somente o grupo de profissionais habilitados “apenas” ao atendimento exclusivo às senhoras, ao público feminino. Portanto, percebemos que fora daí que vieram a ser mais presentes no dia-a-dia as placas e os anúncios, diferenciando o tipo de atendimento: Cabeleireiro Feminino, Cabeleireiro Unissex ou Cabeleireiro Masculino.
De lá pra cá, em meio à transição de métodos e costumes, a entidade mais antiga vem representando todos os profissionais do embelezamento e higiene pessoal e seus similares, que continuaram evoluindo e se atualizando para o atendimento do público misto (unissex) ou do masculino.
Entretanto, muitas questões estão no cerne desse tema. Pois, o sindicalismo paulista e carioca, a exemplo dos da Europa, por serem os únicos que evoluíram junto ao progresso metropolitano (de grande número demográfico), trazem em si características históricas, dessa divisão, oriundas dos mais diversos movimentos, em especial: da exacerbação do machismo e do feminismo. Essa tese se fortalece mais, quando fazemos comparações com as entidades surgidas mais recentemente, em outros estados, e as quais não possuem tal divisão. Observam-se pois, que elas vivenciam os conceitos atuais do “metrossexual”, da igualdade entre os sexos, da androgenia, do jeito “fashion”, do “hair design”.
Da mesma forma que o antigo físico é o médico da atualidade, características semelhantes das evoluções dos métodos, das práticas e das nomenclaturas são videntes, quando comparamos o antigo barbeiro com os esteticistas, cabeleireiros-esteticistas ou barbeiros da atualidade, pois independente da utilização de novos nomes eles continuam a executar de forma similar, como antigamente, a extração de pústulas ou acnes, a aplicação de loções, de emplastos ou de outras máscaras específicas, dentre outras técnicas hoje disponíveis.
É sabido que somente uma reestruturação profissional voltada à integração do grupo que colocará fim ao dilema de divisões infundadas, bem como beneficiará a sociedade: a maior necessitada de serviços e de profissionais qualificados.
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