Termos Corretos
Em vários momentos utilizamos termos anatômicos, porém nem sempre pautados num linguajar científico e técnico. Temos mania de apelidar estruturas como “barriga da perna” ou “dedão do pé”, e nos acostumamos com isso em nosso dia-a-dia. Porém no âmbito profissional, lidando direta ou indiretamente com profissionais da saúde e pacientes, temos a obrigação de aprimorar nosso vocabulário e conhecer os termos corretos da anatomia humana.
A terminologia anatômica é o fundamento da terminologia médica e é importante que em todo o mundo os profissionais usem o mesmo nome para cada estrutura. Desde que a CFTA – Comissão Federativa da Terminologia Anatômica iniciou seu trabalho de padronização da terminologia anatômica em 1990 os resultados têm sido claramente positivos e benéficos aos estudantes de diversas áreas da saúde. Na última reunião em 1997 em São Paulo a CFTA anunciou oficialmente o término da Terminologia Anatômica, que se mostrou uniforme, simplificada e atualizada. Esta foi disponibilizada ao público pela Editora Manole em 2001 na 1ª edição brasileira (hoje esgotada) sendo de grande valia para docentes, discentes e profissionais de diversas áreas da saúde.
Epônimos
O professor Hélcio Werneck – Presidente da CTA diz na apresentação da edição brasileira da terminologia (2001) que uma das preocupações foi apresentar uma lista dos epônimos (utilização de nome próprio de pessoas para identificação de qualquer estrutura orgânica) que, embora banidos da terminologia anatômica há dezenas de anos, continuam a ser usados pelos clínicos apesar dos esforços da maioria dos anatomistas. Segundo Fernandes (1999) muitas pessoas continuam a usar os epônimos apenas por tradição histórica em consideração aos tempos do renascimento cultural do século XVI; outro motivo é o exemplo de outras ciências como a Botânica e a Zoologia que utilizam epônimos universalmente estando plenamente satisfeitas com este tipo de designação. Em contrapartida temos vários argumentos contra a utilização dos epônimos como nos diz Fernandes (1999): Há injustiças históricas nos epônimos, nomeando-se, com freqüência, não o descobridor de determinada estrutura, mas algum observador ulterior; há também a possibilidade de que uma mesma estrutura possa receber nomes epônimos diferentes de acordo com a nacionalidade do anatomista.
Listamos a seguir vários epônimos famosos e sua nomenclatura atual:
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Histórias
Existem epônimos consagrados que envolvem o nome de figuras da mitologia grega ou até mesmo da Bíblia e não de cientistas ou investigadores de estruturas anatômicas, como, por exemplo, o tendão de Aquiles, que era chamado assim de acordo com o mito em que Aquiles um grande herói lendário quando criança teria sido banhado num rio no qual as águas o protegeriam dos inimigos, tornando-o invulnerável. Porém, para banhá-lo foi necessário segurá-lo pelos calcanhares e isso fez com que os dois tendões do calcanhar não fossem imersos no rio, tornando-se o lugar de fraqueza e vulnerabilidade do herói. Obviamente a estória é muito bonita, mas o estudante para guardar o nome da estrutura precisa conhecer o mito, sendo que com o nome atual Tendão do calcâneo o aluno usa a lógica e percebe que o tendão do músculo tríceps sural localizado na região posterior da perna se fixa no osso calcâneo que é um dos ossos do tarso.
Outro exemplo é o famoso pomo de Adão, onde diz a estória que Adão ao comer a maçã, o fruto proibido, ficou com um pedaço engasgado na garganta o que fez com que os homens tenham uma proeminência maior na região do pescoço do que as mulheres. O nome da estrutura anatomicamente é proeminência laríngea e se refere a uma extremidade anterior da cartilagem tireóidea que compõe o esqueleto cartilaginoso da laringe, existindo tanto em homens quanto em mulheres, porém mais proeminente nos homens por conta de diferenças estruturais da laringe quanto ao sexo.
A idéia de associar o nome da estrutura ao local onde ela se encontra, com as relações de vizinhança etc, facilita muito o estudo dos alunos e mesmo do trabalho dos profissionais das diversas áreas da saúde.
Listaremos a seguir o nome atualizado de uma série de estruturas anatômicas que com o passar do tempo e independentemente dos epônimos foram alteradas para que ficassem mais adequadas ao estudo da anatomia humana.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
FERNANDES, G.J.M – Eponímia: glossário de termos epônimos em Anatomia; Etimologia: dicionário etimológico da nomenclatura anatômica. Ed. Plêiade: São Paulo, 1999.
GARDNER, E.;GRAY,D;.O’RAHILLY, R. Anatomia – Estudo regional do corpo humano. Ed Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 1988.
Terminologia Anatômica Internacional. Ed Manole: São Paulo, 2001. |