Isabel Luiza Piatti
Técnica em estética
 

Resumo
Tendo como principais funções a proteção contra agentes externos, a regulação térmica, a defesa orgânica, o controle do fluxo sanguíneo, a proteção contra agentes externos, a pele é o maior órgão do corpo e também atua como receptora de estímulos sensoriais. Formada por três camadas – epiderme, derme e hipoderme, a pele é capaz de refletir as condições físicas e emocionais de um indivíduo. Também é ela que sofre a ação direta dos agressores extrínsecos e intrínsecos, considerados os principais causadores do envelhecimento. Entretanto, existem diversas formas de adiar e atenuar esse processo natural e irreversível. Além de boa alimentação, da prática de esportes e de outros hábitos que promovam uma vida saudável, o uso de cosméticos também é eficaz alternativa para preservar a juventude e a beleza da pele. Há algum tempo atrás, grande parte dos cosméticos existentes no mercado eram desenvolvidos a partir de fórmulas simples, que continham essências, bases creme ou gel e extratos de substâncias que prometiam efeitos específicos. Em virtude de diversos comportamentos sociais, a indústria estética tornou-se um grande nicho de mercado e logo a ciência fez importantes avanços também nessa área.

Figura I - Estrutura da Pele

Hoje, grandes marcas e laboratórios investem em pesquisas e estudos que têm como objetivo o desenvolvimento de produtos capazes de proteger a pele e toda a sua estrutura contra as ações da idade e do meio ambiente.
Entre os principais recursos desenvolvidos pela indústria cosmética, os princípios ativos são de fundamental importância para a eficácia dos produtos. São suas propriedades individuais e os resultados obtidos por meio de associações com outras substâncias que garantem resultados eficazes.

Pequenas Notáveis
Para potencializar a ação de diversos ativos, a ciência apresenta agora, um novo recurso tecnológico que promete, mais uma vez, revolucionar o mercado mundial de cosméticos: trata-se das nanocápsulas, estruturas poliméricas porosas, inertes e capazes de armazenar ou de fixar em sua superfície, ativos de naturezas diversas.


Figura II – Nanocapsulas

Funções Especiais
Além de transportar princípios ativos, as nanocápsulas também garantem outras importantes vantagens aos produtos cosméticos. Uma delas é a capacidade de liberar as substâncias contidas em seu interior de maneira gradual e linear, de acordo com as necessidades da pele. Essa liberação progressiva não apenas prolonga o tempo de ação das substâncias, como também evita superconcentrações de ativos na pele e eventuais reações no contato com as estruturas do tecido.
De maneira significativa, suas propriedades específicas contribuem, ainda, para a estabilidade dos princípios ativos, facilitando a manipulação dessas substâncias nos cosméticos, fator que garante maior qualidade ao produto final.
Vale lembrar que além das nanocápsulas, também existem outras estruturas que atuam como veículos de transporte de princípios ativos, como os lipossomas. Entretanto, essas últimas apresentam algumas desvantagens em relação às primeiras. Devido à sua constituição lipídica, os lipossomas liberam os princípios ativos existentes em seu interior já no primeiro contato realizado com o manto hidrolipídico, causando concentração pontual e não entregando seus princípios ativos no ponto ideal. Além disso, sua composição favorece a oxidação, comprometendo a qualidade de seu conteúdo.


Figura III – Nanocapsulas na pele.
Eficácia Comprovada
A fim de avaliar o poder de penetração dessas estruturas, laboratórios especializados realizaram diversos testes científicos. Em um deles, algumas nanocápsulas foram contaminadas com carbono 14 e aplicadas sobre um tecido. A radiação liberada pelo C14 foi registrada na derme. Ou seja, as nanocápsulas foram além da camada mais importante para recepção dos ativos, que é a junção dermo-epidérmica.
Entretanto, é importante destacar que não são as nanocápsulas, propriamente ditas, as responsáveis por determinado tratamento. Mas é o seu intenso poder de penetração que viabiliza a ação de substâncias como silícios orgânicos e aminoácidos em ambiente intercelular, promovendo a reestruturação das fibras de colágeno e elastina e, conseqüentemente, combatendo o processo de envelhecimento, restaurando a elasticidade cutânea e normalizando a permeabilidade da pele.
E se antes a cosmetologia utilizava a introdução da proteína acabada (colágeno), hoje a metodologia é dar à pele os nutrientes necessários para que o tecido volte a apresentar sua idade cronológica. Neste momento, entram em cena as nanocápsulas que entregam os princípios ativos direto na “fábrica”.
A eficácia das nanocápsulas também pode ser demonstrada por meio de sua ampla utilização na medicina, como por exemplo, em tratamentos de controle hormonal e em adesivos para controle de tabagismo, onde o ativo é nanoencapsulado.
A Ficção tornou-se Realidade!