DLM... e Compressão Pneumática nos MMII da Gestante


A Gestação
Durante um período de mais ou menos 40 semanas, a fisiologia feminina se torna muito diferente da mulher grávida para a não grávida, causando modificações em quase todo o organismo feminino.
Ocorrem mudanças físicas, metabólicas, teciduais, hormonais e de conduta, bem como, freqüentes alterações de humor.
A partir dos primeiros meses de gestação é comum as mulheres relatarem sintomas como sensação de “peso e cansaço nas pernas”, ou ainda dores na panturrilha e articulações, como as dos joelhos e tornozelos. Geralmente, em algumas gestantes, essas queixas aparecem logo, devido ao inchaço que começa a se instalar nos MMII (Membros Inferiores), causando incômodo e desconforto.
Os sintomas provenientes desse edema na gestação, levam as mulheres grávidas a procurarem a ajuda de um profissional, a fim de aliviar esses sintomas desagradáveis. Os próprios médicos aconselham e indicam bons profissionais para tratamento de apoio às suas pacientes.

DLM Terapêutica
Nada melhor nesses casos, do que uma sessão de Drenagem Linfática Manual, tanto para reduzir esse edema, como para promover um estado de relaxamento e bem estar.
Porém, analisando as causas do edema na gestante, podemos verificar que uma sessão de DLM, associada ao uso das botas de compressão pneumática, conhecida também por pressoterapia, formam uma dupla perfeita para aliviar os sintomas da gestante, relacionados a esse acúmulo de líquido.

As Causas do Edema na Gestante
As causas mais comuns de edema na gestante estão relacionados, primeiramente à uma alteração hormonal no organismo feminino. Os efeitos do estrógeno e da progesterona sobre as paredes dos vasos provocam sua distensão, por diminuição do tônus muscular.
O peso do útero em crescimento comprime as veias cava inferior e ilíaca, promovendo aumento da pressão venosa nos MMII. Esse maior represamento de sangue nos MMII, com conseqüente diminuição do retorno venoso, favorece a filtração de líquido para o espaço extra vascular.
Ocorre uma diminuição da pressão oncótica do plasma, e aumento da retenção de sódio e outro minerais, resultando em retenção de água.
Além disso, a modificação da curvatura da coluna lombar e sacra diminui o papel da bomba diafragmática e favorece o pinçamento da veia ilíaca pela artéria ilíaca direita, apoiada sobre o sacro( Síndrome de Cockett).
Verificamos então, a partir das causas acima descritas, que a gestante apresenta acúmulo de líquido nos MMII, proveniente de várias modificações funcionais, sendo uma das causas originadas pela diminuição do retorno venoso. Daí o uso associado da compressão pneumática, uma vez que esta estará indicada para tratamento de edemas linfáticos e venosos.

Compressão Pneumática
A compressão pneumática consiste no emprego de câmaras de ar, com formatos de luvas, botas ou cintas, conectadas a um sistema compressor de ar, que quando insufladas, promovem a compressão do membro envolvido, com a finalidade de reduzir o edema do mesmo. A pressão exercida varia entre 30 à 100mm/Hg, de acordo com cada paciente e cada caso.

Seu funcionamento está baseado em três mecanismos básicos:

Aumento do Fluxo Linfático:
Ocorre pelo aumento da pressão intersticial, o que favorece a entrada de líquidos e proteínas para dentro dos capilares linfáticos, e pela compressão radial dos vasos linfáticos, favorecendo seu escoamento;

Aumento do Fluxo Venoso:
Devido ao aumento da pressão intersticial, ocorre também aumento da pressão hidrostática, favorecendo a entrada de líquido nos capilares venosos. A compressão radial atua em toda extensão do membro, favorecendo seu escoamento sangüíneo;

Deslocamento Proximal de Fluídos:
Caso haja alguma obstrução ou lesão de linfáticos, o líquido é levado para áreas onde haja linfáticos normais, que possam absorver o líquido que se encontra no espaço intersticial.


Detalhes Importantes
O tempo de aplicação das botas, a forma unilateral ou bilateral, bem como as pressões a serem utilizadas ficam a critério do profissional. Cabe a ele, avaliar alguns fatores e prescrever o tratamento mais adequado à sua cliente/paciente.
É importante ressaltar que a sessão de drenagem linfática na gestante, associada ou não ao uso da compressão pneumática, tem como principal objetivo promover o conforto e o bem estar, e diminuir os sintomas que são provenientes do edema. Não tem como prioridade promover o desaparecimento do edema em si, uma vez que esse, por si só, tenderá a se resolver, após o parto.
Cabe ainda ressaltar que qualquer tratamento submetido à gestante deverá ser sabido pelo médico obstetra, o qual poderá concordar ou não com qualquer tipo de equipamento que seja usado.
Lembramos também que cabe ao profissional que trabalha com a gestante, ter conhecimento absoluto sobre as técnicas que serão utilizadas, bem como suas indicações e contra-indicações; ter o conhecimento da fisiologia humana, e, principalmente, conhecer a fisiologia da gravidez, para que possa assim, indicar à sua paciente/cliente o tratamento mais seguro e adequado.
Desta forma, procuramos obter resultados eficientes e satisfatórios, atendendo às necessidades e expectativas de nossas pacientes/clientes.

Bibliografia:
VOGELFANG, DANIEL. Linfologia Básica. 1ª. Edição, São Paulo. Editora ícone, 1995.
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DOUGLAS, CARLOS R Tratado de fisiologia aplicada à ciência da saúde. Fisiologia da gravidez. 4ª. Edição, São Paulo. Editorial Robe, 1999-2000.
FERNANDEZ, JEAN-CLAUDE. Reeducação vascular nos edemas dos membros inferiores. 1ª. Edição brasileira – 2001. Traduzido do livro Rééducation dês oedémes des membres inférieurs. 1ª. Edição, Paris 1999.
SILVA, ANA PAULA. Fundamentos fisiológicos do sistema linfático e da drenagem linfática manual – aplicação da técnica no pós-operatório de lipoaspiração. Monografia apresentada como exigência parcial para obtenção do título de pós-graduação em Fisiologia Humana.