Afobada...
 

Tenho viajado tanto que ao acordar preciso de alguns minutos para lembrar onde estou. Tive o prazer de comparecer praticamente a quase todos os eventos ocorridos neste ano. Não escapou nem o Dia das Mães. Aí eu levei minha mãe comigo. As cidades são diferentes, mas é comum encontrar os mesmos expositores. Alguns pelo menos, pois muitos ainda buscam representantes locais. Dia destes, eu e um empresário amigos, tentávamos com toda a força de nosso ser assistir uma palestra, que pelo menos no programa parecia um tema interessante e um conferencista (apesar de não conhecermos) com uma larga experiência profissional. Mas estava muito ruim! A palestrante não articulava suas idéias de maneira compreensível. Suas colocações mais pareciam pedaços de várias palestras. Eu diria que era uma conferência “Frankstein”. Meu amigo e eu começamos a cochilar. Dali a pouco nos apoiávamos um no ombro do outro e o ronco de um acordou o outro. Estávamos sentados nas últimas fileiras do auditório e saímos à francesa, já que somos muito conhecidos e as profissionais começavam a olhar para trás, tentando ver de onde vinha o barulho do trator e do assovio kkkkkkkkkkkkronco. Na saída tomamos uma aguinha, pigarreamos e fomos em direção à feira onde se encontravam instalados nossos estandes. Rindo muito é claro. Vejam vocês: em um ano encontramos a pessoa assistindo ao evento, ou como empresária (o) do setor e, no ano seguinte, no mesmo congresso, lá esta a criatura repaginada e com um currículo espetacular e inacreditável. Pode-se ler no temário: professor (a) doutor (a), com especialização em não sei o quê, pós-graduação no Sri-Lanka, mestrado na Universidade Soborne da França, fisioterapeuta, PhD em ciências ocultas e letras apagadas, premiado (a) com a Menção Honrosa “Chiquinho da Cruz das Almas Penadas” (tem até foto da premiação). Criador (a) da técnica @$#%&*+!”=, de drenagem linfática com tubos cranianos da gordura encefálica para melhoria da flacidez no tornozelo, entre outros. Muito importante esta parte do entre outros. Eu e meu amigo conversávamos sobre a rapidez do ensino na atualidade. Como de um ano para o outro, uma pessoa que assistia o congresso ou era um expositor (a) conseguiu tamanha façanha! Um currículo de dar inveja! Trata-se de um virtuosi. Em nosso caminho vi portas lado a lado que indicavam os banheiros. Pedi um instante para meu acompanhante e já saí correndo, abaixando o zíper da calça. Como mulher faz xixi, não é mesmo? Que absurdo! E encontrar banheiros vazios em eventos é uma oportunidade imperdível. Quase chegando ao término de meu longo e delicioso xixi ouvi que entraram mais pessoas no banheiro. Achei estranho o silêncio, porque mulher entra no toalete num blábláblá, todas falando ao mesmo tempo, sem que ninguém entenda nada e nenhum assunto seja encerrado. Silêncio absoluto! Mas tinha gente, porque eu ouvia o barulho de xixi. Mas era um barulho denso, diferente. Pensei comigo mesma que estava vendo pelo em ovo e abri a porta, fechando o zíper da calça. Abri rápido e fechei à jato. Abri devagarzinho e deixei só uma frestinha para espiar. Gente tinha três homens no banheiro feminino! Bem, mas eles estavam em pé, de costas para mim, utilizando aquele troço que eu não sei o nome e que tem em banheiro masculino. Fechei a porta sem dar um pio. Suava em bicas. Ah! Homem não demora no banheiro. Já já eles vão embora e eu saiu correndo. Comecei a pensar se meu amigo viu eu entrar no banheiro errado e de sacanagem não me avisou. Devia estar rindo muito. Pior: devia estar falando para todo mundo que passava, pois eu sou a maior pagadora de mico, porque sou afobada e distraída. Abrindo uma frestinha de novo: outros homens ocupavam os lugares dos anteriores. Que azar! Homem não vai tanto assim ao banheiro. Comecei a fazer um estudo social da mijada masculina. Atenção leitores: minha perspectiva de visão era só da parte de trás dos corpos destes indivíduos. É assim, eles chegam e se já tem alguém tão um aceno de cabeça e levando as mãos a região do zíper da calça dá uma sacolejada muito gozada, inclinando o corpo para frente até encontrarem o que procuram. Aí é aquele barulhão, sabe aquele que eu não conseguia discernir? Parece uma torneira aberta. Falar em torneira nenhum dos casos estudados lavaram as mãos. Eca, que nojo! O negócio parece que não vai terminar nunca. Se tiver um colega ao lado percebe-se uma olhadela de canto de olho, do tipo avaliação de medidas. É quase imperceptível. Mas que olham, olham. Depois ficam estáticos ou balançando os calcanhares com impaciência, olhar perdido, outros um leve assovio (detesto assovios). Próxima manobra: sacudir o “my brother”. Muito rápida esta parte. Na sequência outra sacolejada e uma enfiação de coisa para dentro muito complicada para meu entendimento. Todos fizeram do mesmo jeito. É um enfia, estica e puxa com finalização de fechamento do zíper e cinto, se houver. E saem rapidamente como entraram. Após umas três rodadas vislumbrei minha oportunidade de fuga. Pensei não vai dar para lavar as mãos, não correrei este risco. Quase na porta trombei com um rapaz. Ele desculpou-se e entrou no outro banheiro....kkkkkkkkkkkkkkkkk. Saí de fininho e percebi que meu amigo se fora. Fiquei atrás da pilastra e vi o coitado do rapaz sair vermelho como um pimentão e entrar no banheiro certo, que por minha culpa, ele pensou que era o errado. Bom quem manda ser afobada, né?

 


Afetuosamente,
Profa. Rosí Garcias


Matéria da Revista Personalite número 63

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