No início de março estive no Recife - PE, participando de um evento já tradicional no setor, organizado pela empresa Anna Arruda, tendo como maestro o Sr. Natércio e sua família maravilhosa. Conheci gente nova, revi queridas amigas e, aproveito a oportunidade para enviar um “cheiro” para as colegas de Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará. Se havia alguém de outros estados, me adianto em desculpar-me. É um presente conviver dois, três dias com os profissionais do Nordeste. A alegria e o carinho com que somos recebidos são de causar muita emoção! Uma colega esteticista muito estressada inspirou-me para o texto deste mês. Disse-me que não sabia o que fazer com uma cliente muito “exigente”, que apesar de seus esforços em levar novidades dos eventos, fazer cursos para melhor suas técnicas, nada, nada mesmo fazia com que a criatura ficasse satisfeita.
Bem, vamos dar os nomes certos às coisas e aos perfis humanos. Cliente exigente é bom, nos faz crescer. Quer resultados pelo que está pagando. Prestador de serviço lida com pessoas e pessoas são difíceis. Em todo grupo existe a tímida, a palhaça, a otimista, a pessimista, a misteriosa, a infeliz, a exigente, e a... chata. A chata patológica de nascença sempre aparece em nossa vida. Quando nos livramos de uma, outra logo aparece em seu lugar. Para esta pessoa nunca nada está bom, mas não é com você minha amiguinha do Recife, não leve para o lado pessoal, não acabe com sua auto-estima. Para esse tipo de indivíduo nunca nada está bom mesmo. Se for caro, você está roubando, se for barato, você trabalha com porcaria. Se o aparelho está forte é para abaixar, se está fraco você não está dando atenção ao caso dela. Se sua massagem está forte, você quer esfolá-la, se está mais suave, você é uma preguiçosa. Não raro a chata é também linguaruda. Deixa para falar de sua insatisfação com seu tratamento, justamente quando você está iniciando uma série com uma cliente nova, ou pior, quando você está fechando o pagamento. São boas pessoas, estas chatas de galhofa, pois nos ajudam a exercitar uma qualidade essencial em nossa profissão: a paciência! Hoje em dia, a maioria dos aparelhos é bivolt. Na época que eu tinha minha clínica, não. Tinha uma chavinha, onde você colocava no 110 v ou no 220 v, de acordo com a voltagem de sua cidade.
Ter uma funcionária é um pesadelo, ter dez, como eu tinha, é assegurar seu lugar no céu. Em determinada época tinha como cliente a criatura mais chata do universo, juntamente com um caos de duas funcionárias briguentas, que acabavam destruindo a harmonia de todo o ambiente e das demais funcionárias. Um belo dia a chatonilda estava acomodada na maca e duas funcionárias colocavam as placas do aparelho no corpo deste amor de criatura. Eu tinha acabado um tratamento de face e estava no corredor dirigindo-se para a sala grande do corporal para acompanhar o tratamento desta pérola. Sempre me estressava a presença dela. Quando estou quase chegando começam os gritos, a fumaça, a confusão. Alguém mudou a chave do 110 v para o 220 v justamente no equipamento desta figura. Ela levou um choque tremendo! Felizmente tive a rapidez de desligar a chave geral que ficava bem no ponto onde me encontrava. Gente... Que padecimento! Depois de muito blá blá blá, a chata se foi. Cancelei a agenda e reuni o pessoal. Ou aparecia a autora da façanha ou alguém denunciava – eu sabia que alguém mais, além da terrorista, tinha conhecimento do que iria acontecer. Talvez mais que uma. Eu pessoalmente checava todos os aparelhos pela manhã todos os dias. A chavinha era dura, justamente para não alterar-se a voltagem com facilidade, gerando assim, mais segurança. Era a guerra pessoal das duas funcionárias, uma querendo colocar a culpa na outra, porém eu não tinha provas. Briguei, ameacei, chorei, e, por fim sentenciei: ou a culpada se apresentava, ou alguém a apontava, ou todo mundo seria demitido. Demiti todo mundo. Uma loucura se considerarmos que estávamos em pleno mês de setembro com a agenda lotada com os tratamentos de pré-verão. Pensei que nessa altura a chatona já estava empreendendo todos os seus esforços em espalhar que quase foi eletrocutada em minha clínica. Estes encostos vibram com nossas falhas. O choque não foi nada demais, o susto é que é grande nestes casos, e, geralmente, a cliente nunca mais confia no equipamento e nem em nós. Mas, neste caso em particular, ela aumentaria tudo o que pudesse. Era a minha cruz! Ela vinha todos os dias na clínica. Todos! Fiquei bolando uma estratégia para dar conta do que viria pela frente.
Toda ação tem como resposta uma reação. Não dá para trabalhar com uma equipe em que não haja confiança e comprometimento, e não dá para fazer o trabalho de tantas pessoas, sozinha. Levantei às quatro horas da manhã no dia seguinte. A clínica ficava a quatro casas para baixo da minha casa. Desci com uma roupa de faxina: limpei, lavei, esterilizei, adiantei o que era possível, chequei todos os aparelhos, todos os produtos, música, banheiro, chuveiro, reposição de materiais. Fiz café, chá, coloquei água e copos em todas as salas, enfim, às 6 da manhã já estava um trapo. Voltei correndo para casa, acordei a babá de meu filho e disse: “Hoje é sua chance, querida! Você irá para clínica comigo”. Ela me disse que não iria nem amarrada, enviei-lhe um olhar digno de uma louca e disse: - Você vai, sim. Agora, já!- Fui para um novo banho, enquanto ela se debulhava em lágrimas e reclamações (-Tenho vergonha de ver as mulheres sem roupa, não levo jeito para isso, sou tímida, quem vai cuidar do Rogério, nhénhénhé...). Pensei: “Meu Deus, ajude-me! Ela pode atender a porta, o telefone, servir uma água, um chá, sei lá, até eu encontrar outra saída.” A primeira cliente era às 7h. Mecanicamente tomei banho, coloquei calcinha, sutiã, camiseta, meias, correndo fui até o espelho, fiz um rabo de cavalo (meu cabelo era comprido nesta época), desodorante, brilho suave nos lábios... Cadê as sapatilhas??? Abri a porta e pedi para minha querida ex-babá, futura esteticista, socorro para achar as sapatilhas. Informei que iria na frente e entreguei um uniforme para ela se arrumar. Enfiei as sapatilhas e saí correndo, informando que em dez minutos queria ela na clínica: linda, sorridente e feliz. Que estresse! Oh, vida tirana! Adivinha quem era a primeira cliente do dia? Ela mesma, o estrupício, a chata, o karma. Chequei tudo de novo, já que sabia que a campanhia tocaria em segundos, mas parecia que faltava alguma coisa, minha cabeça estava esquecendo algo. A campanhia tocou. Enchi os pulmões e fui atender a porta. Ela me olhou de cima abaixo, balançou a cabeça e disse: “Era só isto que faltava. Agora você vai me atender assim? Disse isto, apontando para a parte abaixo do meu abdômen. Olha que belezura: estava eu de camiseta, calcinha, meias e sapatilhas! Esqueci de colocar as calças. Que estresse!