Revelações |
- Que foi? Você tá estranha. - Né nada não. - Mas você mudou de uma hora pra outra. - Que nada... - Foi o filme? Você não gostou? - Não, adorei. - Foi nosso primeiro filme juntos, né? Ainda vai ter mais um monte de primeiras coisas, já pensou que delícia? - Pensei sim. - Poxa, Teté, você mal tá conversando. Conta o que é. - Nada... acho que preciso ir embora. - Ir embora? Mas a gente não ia fazer um macarrão especial, abrir um vinho? - Eu sei, amor, eu sei, desculpa. Mas tenho que ir. - Peraí. Você achava que tinha que ir e agora já tá calçando a sandália pra sair? - Não é nada com você. - Ah, Teté, nem vem com esse clichê de o problema sou eu e não você. - Júlio. Eu sou louca por você. Faz tempo que não sinto isso tudo por alguém, mas eu preciso ir. Se não consegue entender, pelo menos aceite, por favor. - Poxa, agora vai ficar um climão. - Amanhã eu volto, Júlio. Só tenho que ficar um pouco sozinha, sabe? - Mas você tá aqui faz duas horas só. - Me leva até a porta? - Tá. Cadê meu chinelo? - Vem descalço mesmo, tô com pressa. - Pressa? Agora tá com pressa? Você tem outro compromisso? - Caramba, Júlio, pára de pensar besteira. - Mas o que é pra pensar? A gente estava abraçadinho, vendo filme, dando uns amassos bons e de repente você quer ir embora? Sinceramente eu... - Merda. - Teté. - Não fala nada, não fala nada. - Isso foi um pum, Teté? Você peidou? - Não olha pra mim, sai de perto. - Teté, pára de correr, volta aqui. - Páááára. Não venha atrás. - Tetezinha, isso tudo é porque você quer fazer cocô? - Eu não faço cocô, não pra você. - Teté, pára de correr, você vai fazer na calça desse jeito. - Tá, tá. Parei. Era isso. Queria fazer cocô. Agora você sabe e a vizinhança toda também. Que vergonha. - Meu amor, que bobagem. Tô com câimbra na bochecha de tanto rir. - Ri... ri mesmo. Que situação... cocô não combina com começo de namoro. E eu ainda soltei pum, é o fim. - Teté, eu também faço cocô, larga de ser boba. Talvez a gente pudesse ter adiado essas revelações, mas agora a merda tá feita. Ou quase. -...quero enfiar a cabeça embaixo da terra. - Oha pra mim. Você vai subir agora e fazer esse cocô lá no banheiro, tá? - Tá... mas você fica longe? Não quero que escute nada. - Juro. Vou ficar com a TV ligada, lá na sala. - Tá... então eu vou. - Me dá um abraço antes. - Dou... - Mas não peida não, hein? É uma história hilariante, com certeza, dá para rir e dá para chorar... O crédito é de Valéria Semeraro e Elisa Quadros, responsáveis pelo site: www.redatorasdemerda.blogspot.com Faça uma visita! Você encontrará muitas situações de homens e mulheres, bem contemporâneas e divertidas. Para nós, que trabalhamos com a estética das pessoas, esta historinha é muito importante, já que sabemos que um dos maiores problemas femininos é a obstipação intestinal. Na seqüência deste problema, muitas vezes crônico, descobriremos uma série de transtornos causados pelo funcionamento precário dos intestinos: acne, celulite, flacidez, pele ressecada, entre tantos outros. Muitas mulheres casadas nos confessam serem incapazes de ir ao banheiro, se seu parceiro está em casa. Soltar pum, então, nem pensar! É uma questão cultural e educacional, que gera uma série de problemas de saúde e também estéticos. Portanto, coloquemos a condição para nossa cliente, como ponto-chave nos resultados de seu tratamento, a necessidade de fazer cocô diariamente. É sério! |
Matéria da Revista Personalite número 55 Voltar |