O Queijão Branco

Quero agradecer aos maridos das esteticistas, que são fãs desta seção, bem como, de nosso editorial. Agradeço à atenção, mas preciso avisá-los: elas ficam com ciúmes, pois vocês pegam a revista, antes delas...

Nossa aventura desta edição é recente e tem como cenário a belíssima cidade do Rio de Janeiro.

Quando participo de feiras e congressos muito grandes, não cultivo o hábito de sair à noite, porque geralmente no dia seguinte, a disposição para o trabalho não é a mesma. Mas, desta vez, não tive como escapar. O evento aconteceu no Riocentro, que fica no bairro de Jacarepaguá, no Rio. Foi eleito para passeio noturno, por duas colegas cariocas, o pagode "Ilha dos Pescadores", na Barra da Tijuca. Uma casa de diversão maravilhosa, com boa comida, boa música e muita, muita cerveja. Noite quente, pagode, local animado, já viram, né? O líquido precioso descia fácil garganta abaixo. Fui segurando, pois sei que, no dia seguinte, fico um "caco", porém minhas acompanhantes não ligavam muito para isso, não. Éramos duas paulistas e duas cariocas. Eu e a Soraia (vamos chamá-la assim) ficamos mais observando. A Jussara e a Ivete (nomes fictícios) soltaram suas emoções. A Ivete é a outra paulista e estava hospedada em um hotel na Barra, eu e a Soraia, íamos dormir na casa da Jussara, que ficava um pouco para frente de Jacarepaguá. Comecei a ficar aflita com o horário. Em um intervalo da música, me atrevi a sugerir: "Pessoal, vamos indo?". Pra quê? Quase fui massacrada.

Bem, já que estava lá mesmo, paciência. Às duas da manhã, decidi: "Se vocês não forem, vou sozinha". Olhares de ódio à parte alcancei meu objetivo. Pegamos as bolsas e procuramos os cartões de consumação, para pagar a conta e, finalmente, irmos para o berço. Dona Ivete, depois de virar a bolsa do avesso, chegou à conclusão que perdera o seu cartão. Acontece, que tínhamos marcado todas as despesas, em um cartão só. Os outros três estavam em branco. Não tinha negociação. Queriam que pagássemos o valor total de todos os cartões. De repente, a Jussara foi falar com o segurança, que ficava na saída, e, sem sabermos por quê, ela começou a dar vários beijos no rosto dele, e acenava para que fôssemos saindo. O que aconteceu? Ela encheu tanto o "saco" do segurança, explicando a situação, que ele liberou a nossa saída. A Ivete pegou um táxi (tortinha) e foi para seu hotel. O duro é que eu e a Soraia tínhamos ainda que enfrentar a jornada até lá longe, com uma motorista que estava meio "manca". Deus é grande, vamos lá. A motorista/esteticista/beijoqueira dizia que estava tudo bem, que ela estava ótima. Em todo caso, fui na frente com ela para ajudá-la a enxergar. Como tenho "faro de índia", percebi em determinado momento, que o caminho não era o mesmo que havíamos feito na ida. Vamos ler as placas: Centro, Copacabana, Piedade, Cidade de Deus, êpa! Jesus, que medo. Os cariocas que me perdoem. Sei que a violência em São Paulo é pior que a do Rio, mas, pelo menos aqui, eu conheço os lugares onde devo me preocupar. Chegamos ao pé de um morro, e, Jussara, tranqüilamente disse: "Porrrrrrrrrrrra meninas lembrei agora, que a gente está perdida!?!?!?". Falei: "Você é alguma espécie de louca, ou o quê?" Gargalhadas, muitas gargalhadas. Entra aqui, sai acolá, e nada de placa de Jacarepaguá. De repente, a doida entrou em uma rua - rua das oficinas - uma das mais perigosas do Rio. Rua escura, quatro horas da manhã, nenhum ser humano à vista. Pavor, horror total, arrependimento mortal. Sem mais, nem por quê, nossa querida motorista brecou rapidamente, em frente à uma casa, puxou o breque de mão, e abriu a porta do carro. Agora, danou-se! Ainda surpresas e, ao mesmo tempo, apavoradas perguntamos: "O que aconteceu?", ao que ela respondeu: "Nada, preciso "mijar, pois já estou fazendo gargarejo". Detalhe: Na casa onde ela parou, dois cachorros - pastor alemão - latiam enlouquecidamente. Ela nem ligou. Abaixou-se, com aquele bundão, que mais parecia um queijão branco, virado justamente para o lado do portão, aonde estavam os cachorros, babando de raiva, e começou a verter o resultado de duas dúzias de cerveja. Gente, o xixi não acabava e o medo aumentava. Tínhamos a impressão, que os cachorros romperiam o portão, e grudariam no bumbum da popozuda. Ascenderam-se as luzes da casa, logo após, as do vizinho. E o xixi não acabava. Eu tinha certeza que eu ia morrer: de medo, de tiro, de susto, de vergonha, ou de mordida de cachorro. Eu disse: "Não dá para terminar em casa". Jussara: "Não dá, porrrrrrrrrrra! Você já conseguiu brecar xixi?". Finalmente, entrou no carro, com aquele ar de alívio, deu a partida e, finalmente, fomos embora. "Agora já me localizei: estamos em Piedade, e sei ir para casa. O xixi é que estava me atrapalhando", falou aquela doce de criatura. Chegamos à casa dela às 5 da manhã, para acordar às 07h30. Ela se jogou, de roupa e tudo, em sua cama, e já era. Eu olhei para a Soraia, bem tipo, e agora? Fomos fazer uma excursão pela casa para procurar um cantinho para dormir. Encontramos nosso quarto já preparado, tendo inclusive, o cachorrinho da Jussara nos aguardando, em uma das camas. O bichinho estava cheio de amor para dar, ao contrário, dos que encontramos anteriormente. Mas era muito amor mesmo! Nas duas horas que tínhamos para dormir, ele ficou pulando de uma cama para outra, se divertindo com nossas pernas.

Pense bem minha amiga: da próxima vez, que alguém te convidar para alguma "baladinha", com aquela desculpa, que afinal de contas é preciso se divertir também, que a vida não é só trabalhar, etc, etc, etc, etc. Lembre-se: pode ser a Jussara, que voltou a atacar.





Aquele Abraço!!
Profa. Rosí Garcias
Revista Personalité
personalite@uol.com.br

Matéria da Revista Personalite número 42

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