A Massagem Turbinada

Os profissionais de estética e massagem, geralmente trabalham muito e, quase nunca, recebem tratamentos estéticos ou massagens relaxantes, revigorantes, modeladoras. Acho que nosso nível de exigência é grande, por sabermos que a massagem não é tão inócua, como parece para os leigos. Tem também o probleminha de alguns profissionais acharem, que por que o outro marca uma massagem vai “investigar” ou copiar ou colocar “defeito”. Estamos falando dos casos de cidades menores, onde todo mundo se conhece. Mas, como é importante recebermos massagens, cuidarmos de nosso couro cabeludo, da hidratação e nutrição de nossa pele! Além de ser muito bom, dá à nossa clientela um parâmetro de quanto somos bons no que fazemos, pois a impressão causada pela nossa face hidratada e fotoprotegida, o brilho e a saúde de cabelos bem tratados, os contornos corpóreos dentro de uma realidade aceitável para nossa altura, torna-se nosso cartão de visita para fecharmos bons negócios.

Pensava em tudo isto, no bimestre passado, em uma praia linda de nosso Nordeste maravilhoso. Fui fazer uma palestra e participar como expositora de um evento e fiquei um dia a mais para saborear os encantos daquele lugar bucólico. Meu olhar alternava-se entre o mar, que estava à minha frente, e uma tenda de massagem com quatro macas, que estava às minhas costas. Pensei: bem que podia receber uma massagem, aqui ninguém me conhece mesmo... Já estou de maiô, então, é só deitar lá e me esbaldar com esta vista linda do mar, esta temperatura perfeita amenizada por uma brisa encantadora... Fui interrompida em meus devaneios por uma mocinha, bonitinha, toda de branco me oferecendo um papelzinho, onde, como em um cardápio, escolhia-se a massagem desejada. Na lista de técnicas oferecidas constavam a drenagem linfática, a massagem relaxante, a massagem analgésica (?!?), a massagem de casais (!?), a massagem para estrangeiros (!?!) e a massagem turbinada. 

Quando ia perguntar sobre os itens que eu não conhecia, a belinha se antecipou: - Olhe só, para você que está um pouco gordinha é melhor a massagem turbinada, mas ela é um pouco mais cara por que cansa muito, entendeu? Qual a sua formação? Perguntei. – Bem, eu e minhas colegas não somos daqui, somos do interior e, na temporada a gente vem para atender. Nós fomos à São Paulo fazer os cursos. Jura? Em que escola? Meio atrapalhada, ela disse: - Ah! Em várias. Quer fazer a massagem ou não? Respondi que ia tomar uma água de coco e, quem sabe mais tarde, faria a tal turbinada. Estava com medo, mas a curiosidade era maior. Cheguei ao local e disse que faria a massagem turbinada. A mocinha disse logo: - Paga agora, é R$ 25,00, mas a senhora está muito grande, então é R$ 35,00. Pensei comigo: "vá para os quinto dos infernos e para o diabo que te carregue, sua abestada". Respirei fundo, paguei e deitei. Ainda em fase de acomodação, alguém agarrou minha cabeça e jogou um litro d'água. Quando consegui respirar e abrir os olhos, vi uma outra pessoa. A mocinha que atendeu inicialmente sumiu. Esta outra, me disse que se chamava Lucinete e que cuidaria de mim junto com a Francineide, que acabará de chegar. Fortes emoções estavam por vir! Achei que a melhor estratégia era ficar quietinha. Lucinete começou a passar um creme de odor horrível em meus cabelos. Quando perguntei o que era, ela disse se tratar de um creme para hidratar o cabelo e inibir a queda, já que eu estava com um problema de "lorpécia de ludivingui". Levantei a cabeça e perguntei: - Estou com quê? Relaxe amô, seus homônimos, devido sua idade não dão de cumê para os cabelos e eles caem, ai vem um carrapato que é ludivingui e acaba de cumê a raiz dos pobres. Mas não preocupa, eu vou te vender um tônico, que é feito aqui nas falésias com água santa, e você vai passa todo dia para num ficá careca, tá bom amô? Tá, né?

Nos pés começava o vuco-vuco. Francineide passou uma mistura de areia com alguma coisa verde e água do mar para desinchar (e esfolar, né?) meus pés. Doeu, mais que isto, meus pés branquinhos ficaram quase em carne viva! Depois vieram com uma espécie de regador de jardim e me regaram inteira (desconheço a origem da água). Para meu desespero total, ela ergueu meu maiô na direção da minha periquita e mandou água. Quando pensei em reclamar, Lucineide Enfiou os dois indicadores com unhas imensas dentro de meus ouvidos. O que é isso criatura? - Relaxe, mulé, isto é para dar arrepio, é bom! - Lucineide, você vai estourar meus tímpanos. Pare, por favor. Ela não gostou muito, mas continuou a esfregação na minha cabeça. Francineide se manifestou, dizendo: Venha, Lucineide, me ajudar aqui nas pernas, eu cato uma e você a outra. Um óleo de origem duvidosa foi espalhado em minhas pernas e lá vêm elas... Que pancadaria! Que surra! Não sabia como fugir dali. Me preparei para dizer que já estava bom, quando Lucineide, rápida como um azougue, abaixou meu maiô, deixando meus peitos e minha barriga de fora. À meu lado, um senhor dormia (graças a Deus), em uma massagem mais amena.

- Lucineide, Francineide, me cubram, por favor. Já está bom, não quero mais. Se entreolharam e foi Francineide, quem disse: - Não está gostando, não? Você vai ficar fininha, uma beleza, mas tem que sofrer um pouquinho...
E lá vem as duas de novo. Que massacre! A água de coco quase voltou. Quando mandaram eu virar, quase fugi, mas havia duas feras sedentas, uma de cada lado da maca, impedindo a evasão.
Pessoal, que carnificina! Fizeram massagem até com um pedaço de pau. Passaram-me um gel crioterápico e, por cima, um bloco de gelo gigante, como quem estivesse passando roupa. Juro, pensei que estava em um filme de terror!

Fiquei roxa uma semana, refletindo o que ocorre em nosso país, em relação à nossa profissão. Isto não acontece só no Nordeste. No verão, em todo nosso litoral, "aparecem" estes prestadores de serviços. Claro, que existem os bons, preparados e com formação, mas são minoria. É preciso fazer alguma coisa à respeito, pois perdemos todos em credibilidade e respeito. À todos um final de ano feliz, com saúde e paz, recarregando as baterias para o ano que vem. Mil beijos!

Aquele Abraço
Profa. Rosí Garcias

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